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24.10.07

Processo III (por Iaiá)

O pão, a lata, o carro, a cadeira vitoriana, o bule, o passe de ônibus, o chinelo azul, o pé, o porcelanato manchado, a coleção de penas, o pato... Os segundos enverdecem-nos pó.
São segundos os minutos, as horas, os anos, e mesmo quem ainda era afeto, já nasceu, já andou, já comeu, já trabalhou, já amou, deixou de amar, amou de novo, já viajou, já voltou, tudo ontem mesmo - antes deste segundo que acabou de brotar e agora já é outro, que já não é mais...
O pó se espalha como o que nunca existiu. E o que as mãos conseguem segurar?
O eterno é belo e fluido, substâncias, sutilezas, fortalezas finas de etéreas melodias. O eterno não se pode tocar.

18.10.07

Processo II

Passeio de mãos pensas entre o que apodrecerá e o que é divino. Minhas divindades têm por característica permanecerem, imunes ao tempo - ainda que não se possa tocar com os dedos dessas mãos, que pendem. Um bem-querer permanece, um acorde permanece, a poesia permanece, uma imagem permanece... divina simplicidade!
Ter algo entre os dedos hoje é não ter noutro dia... Eterno é antes e depois: agora já passou, a luz que entra pelos olhos e precisa ser 'entendida' pelas retinas, traduzida em pensamento, já aconteceu há algumas frações de segundo. É o mesmo silêncio das estrelas.

9.10.07

Processo I

Como sempre agridoce, entre a aridez de um quarto onde uma esperança - o inseto verde de Clarice - ainda teima continuar agarrada às paredes e outra paisagem, que se torna alagada com a mesma velocidade dos momentos bons - nem todos vividos.
São notícias, constatações ao avesso, poemas, canções... é o tempo capaz de tornar alguma cidade submersa, é o mesmo tempo capaz de dissolver o que é concreto. Ainda assim é normalmente tão pouco. Como sempre, agridoce.
 
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